História da Consciência Negra
Um feriado nacional para Zumbi dos Palmares
Por José Vicente
Em 1971, um grupo de negros no Rio Grande do Sul decidiu criar uma data para reverenciar Zumbi e o Quilombo dos Palmares. Tal iniciativa tinha um objetivo muito nobre e significativo: essa data passaria a ser uma referência para a luta do povo negro no Brasil, em substituição ao 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura, assinada pela princesa Isabel em 1888. Começava ali todo um movimento para que mais uma injustiça histórica contra a população negra fosse corrigida.
Até então desprovidos de heróis, os negros brasileiros viam finalmente surgir, na figura de Zumbi dos Palmares, sua grande referência. A data escolhida era a da morte do líder palmarino, morto em 20 de novembro de 1695, durante combate para defender a República de Palmares.
Com isso, Oliveira Ferreira da Silveira, o principal idealizador da ideia, e os demais militantes gaúchos diziam textualmente o que todos os negros do país sentiam com relação à única data que fazia alusão aos negros no calendário: o 13 de maio não tinha maior significação para nós.
Na metade da década de 70 a data começou a ser comemorada em São Paulo e no Rio de Janeiro e, em 1978, a assembleia do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUDR), realizada na Bahia, aprovou o 20 de novembro como dia oficial de celebração da comunidade negra brasileira.
Em 1995, o Rio de Janeiro foi a primeira cidade a decretar feriado oficial em homenagem a Zumbi dos Palmares. Isso representou, sem dúvida, uma vitória para o movimento negro e para todas as instituições que lutam pela eliminação da discriminação e das desigualdades no país.
De lá para cá, a luta dos negros na denúncia e combate à discriminação e ao preconceito racial e a colaboração destacada de organismos civis e governamentais na produção de informações, sensibilizações e ações inovadoras têm conformado uma nova visão de mundo e operado profunda e consistente transformação de crenças e valores na sociedade brasileira. Atualmente, várias capitais decretam feriado oficial ou ponto facultativo em alusão à data. Somente no Estado de São Paulo, 144 municípios comemoram o Dia da Consciência Negra como feriado, incluindo a capital. No Estado do Rio, o feriado vale em 91 municípios, incluindo a capital. Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra por trezentos anos, tido como renegado, hoje está definitivamente no panteão dos heróis nacionais.
Construímos no país um ambiente de maturidade e aperfeiçoamento da sociedade e de suas instituições, consolidamos a democracia e estamos reconstruindo a economia. Sim, estamos criando uma nova história e descobrindo novos heróis, que merecem ser colocados em seu devido lugar e reconhecidos pela história oficial.
Diante desse cenário, acreditamos que, em breve, o feriado que hoje é municipal entre para a lista dos feriados oficiais nacionais. Afinal, Zumbi não é apenas um herói negro, ele é um herói legítimo do povo brasiliero.
• José Vicente é advogado, mestre em Administração e Marketing e doutorando em Educação pela UNIMEP. É reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares.
"Uma burca para Geisy"
Circula na internet um primor popular intitulado “Uma burca para Geisy”, vale ler:
Uma burca para Geisy
Miguezim de Princesa
I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.
II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"
III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!
IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.
V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"
VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.
VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.
VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.
IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.
X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.










