13/01/2009

Moda sustentável - e linda!

Taís RemunhãoA estilista mineira Taís Remunhão, proprietária da grife T*Ar, resgatou o trabalho da tecelagem manual. Ela garimpa fios mundo afora para fazer moda e objetos de decoração. Dentre suas criações estão vestidos e bolsas com fibras de palha de coco e garrafas PET recicladas. Leia entrevista que ela concedeu a Gisela Blanco

CLAUDIA - De onde vem a inspiração para fazer tecidos com tear?
Taís - Sou de Carmo do Rio Claro, no interior de Minas Gerais. Cresci vendo minha mãe trabalhar no tear manual que tínhamos em casa, então a inspiração foi natural. Fiz meus primeiros modelos sozinha. Depois, montei uma equipe, composta por quatro tecelãs da região. Além de valorizar o trabalho artesanal, faço um resgate da cultura mineira. No tear, cada fio é feito manualmente. Dá mais trabalho, mas também me possibilita trabalhar com um universo grande de materiais.


CLAUDIA -- Que tipo de materiais?
Taís - O tear dá um toque rústico, mas gosto de misturar vários tipos de fibras e tecidos, para fazer peças com o máximo de conforto possível. Combino muito fibras rústicas, como as de coco, bananeira, bambu e urtiga com fios de seda, algodão e poliamida, que são confortáveis e rendem um bom toque. Para o tingimento, costumo usar materiais naturais como casca de cebola, que dá um tom dourado, e de amoreira, que tem tom rosáceo. Quando penso nos materiais que vou usar, sempre me preocupo com a questão ambiental. Firmei recentemente uma parceria com uma ONG de São Bernardo que está produzindo para mim fios feitos de materiais recicláveis, como sacos de lixo e garrafas pet.

Bolsa e broche de fibras, obra de Taís

CLAUDIA -- Como surgiram essas combinações?
Taís - Quando ainda cursava a faculdade de moda, percebi minha paixão por fios e fibras exóticos. Decidi, então, fazer uma especialização em Engenharia Têxtil para aprender a aplicar esses materiais aos meus desenhos. Eu era a única profissional de moda da turma, dentre engenheiros químicos e especialistas em fiação. Foi essa especialização bastante técnica que me deu a perícia para entender o comportamento de diferentes fibras e aprender a usá-las da melhor forma para compor tecidos interessantes.

CLAUDIA -- Foi essa mistura de materiais que levou você no ano passado ao salão Prêt-à-Porter Paris, um dos mais importantes do mundo da moda?
Taís - Também. Dentro do salão, participei da feira So Ethic, dedicada à moda sustentável. Mas o que me destacou dentre outras marcas internacionais que também trabalham com materiais rústicos e reciclados foi o estilo das minhas peças. Não adianta fazer moda ecológica, que as pessoas vão comprar para serem politicamente corretas, mas não vão usar porque são feias e não vestem bem. As peças têm que estar na moda e ser, antes de tudo, confortáveis. Isso certamente chamou atenção em Paris. Voltei de lá com grandes expectativas. Consegui fazer vendas para grandes marcas, como a grega Observatory. Fiz também contatos interessantes. Firmei uma parceria, por exemplo, com duas profissionais do Marrocos, uma estilista e uma engenheira química. Elas fazem um trabalho parecido com o meu e agora no final de novembro fizemos um intercâmbio para celebrar os dois anos da marca T*Ar. Enviei peças minhas não finalizadas para o Marrocos e elas me devolveram com um toque personalizado.

Fotos Chris Parente/ Produção Sylvia Radovan/ Cabelo e maquiagem Erick Santos


3 comentários para "Moda#Moda sustentável - e linda!"

  • Tadea Carvalho - diz: Tadea Carvalho - diz: Parabéns pela reportagem, a criatividade dos novos estilistas faz a grande diferença nesse universo grandioso da moda!!!
  • Tadea Carvalho - diz: Parabéns pela reportagem, a criatividade dos novos estilistas faz a grande diferença nesse universo grandioso da moda!!!
  • Mirian Mota - diz: Essa reposrtagem sobre moda sustentavel é um leque de novos conhecimentos para as leitoras da Revista Claudia. Como é gratificante saber que temos profissionais Brasileiros especializados nessa area.

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