09/06/2009

Supermercado verde

Pão de Açúcar: carrinhos feitos de PET e Caixa Verde
Carrinhos feitos de PET reciclado e Caixas Verdes no Pão de Açúcar de Indaiatuba.

Faz um ano, o Pão de Açúcar abriu em Indaiatuba, interior de São Paulo, sua primeira loja verde, como piloto de um projeto maior.  Agora, passa em revista os resultados – ainda melhores do que os esperados.

Desde o início, a construção seguiu as premissas do órgão internacional para projetos verdes chamado Leed (Leadership in Energy and Enviromental Design) e custou 10% a mais que uma loja convencional. Todas as madeiras da loja são certificadas pelo FSC - Forest Stewardship Council e os carrinhos são feitos 100% com PET reciclado. O investimento maior já foi compensado nos últimos 12 meses por duas reduções importantes: de 38% do consumo de energia e de 27% de economia de água, quando a loja de Indaiatuba é comparada a uma loja normal do mesmo tamanho.

As inovações e o impulso à adoção de atitudes ecológicas são muitos. 
Quem dirige carro Flex ou Biocombustível tem vaga preferencial, o bicicletário está disponível para clientes e funcionários, a Estação de Reciclagem tem também coleta de lixo orgânico, nas gôndolas há espaços só para produtos naturais, orgânicos e sustentáveis com mix de mais de 2 mil variedades, entre outras coisas.

O próximo supermercado todo verde será na cidade de São Paulo. Para um estabelecimento receber a certificação do LEED é necessário que seja construído do zero, por isso o grupo não transforma os pontos já existentes. O projeto visa que todas as novas lojas do grupo, mesmo de outras marcas (Extra, Compre Bem e Sendas), tenham o certificado.

No entanto, o Caixa Verde já é uma inovação presente em 23 lojas do Pão de Açúcar. Trata-se de um programa de pré-consumo no qual o cliente descarta embalagem dispensável ao passar no caixa, antes mesmo de consumir. Só neste primeiro ano foram depositadas 21.155 embalagens no Caixa Verde da loja de Indaiatuba.

Mas a pergunta é: o consumidor da loja verde é diferente das outras lojas Pão de Açúcar? Sim, já é possível sentir a diferença em números. O incentivo ao consumo consciente é visto, por exemplo, na quantidade de sacolas recicláveis vendidas que chega a 6 vezes mais que uma loja normal. Neste primeiro ano de “vida”, 2.580 ecobags foram compradas pelos clientes desta loja.

E, fala sério, além das causas verdes que são bacanas, quem acha sair com uma ecobag um martírio? É chique, cool e um luxo - que só quem tem consciência pode alcançar.

Alice Lobo, do Verdinho Básico


11/11/2008

Arte em rua de São Paulo

Árvore das PerguntasNasceu a "Árvore das Perguntas" na capital paulista, perto do metrô da Vila Madalena.

Uma árvore que vivia num canto entulhado de lixo, e que havia sido maltratada e tinha uma parte queimada, um dia amanheceu esplendorosa e cheia de perguntas.

Não é conto de carochinha nem obra de magia.

É uma intervenção do artista plástico Jaime Prades (que tem um histórico incrível de intervenção urbana). Vizinho da árvore, ele via a cada dia o lixo crescendo ao redor dela. Um dia, munido de material de limpeza e uma disposição “para ser ator e não espectador”, ele partiu para ação.

Limpou tudo e tratou das feridas da árvore. Retirou sua crosta queimada, lavou, abriu o cimento que comprimia as raízes, encheu a terra de seixos brancos, pintou em volta, usando símbolos e personagens que são sua marca registrada (e que a mim pareceram guardiões alegres).

Por fim, deixou uma penca de perguntas na árvore. Eis algumas:
Por que jogamos lixo na rua?
Por que não nos importamos uns com os outros?
Temos direito à beleza?

Se você mora ou visita São Paulo, vá conhecer a Árvore das Perguntas. Ela é linda. Fica na confluência da rua Apinagés com as ruas Herculano e Soledade (perto da Av. Heitor Penteado). Conversei com o Jaime (eu queria dar um beijo no artista depois de ver aquela pracinha recém-nascida!). Ele disse que ainda tem gente que às vezes coloca lixo ali: ele vai lá, limpa de novo e tenta conversar com quem tem esse hábito. Por outro lado, acabou conhecendo um monte de gente legal nas redondezas: falou com vizinhos,  trocou idéias, ganhou apoio para a limpeza. Como dá para ver na foto, naquela calçada de São Paulo tem menos dor e mais beleza.

Para saber sobre outras intervenções, confira o site do artista.

Déborah de Paula Souza
Foto Jaime Prades, arquivo pessoal


28/01/2008

O absurdo do Mato Grosso sem mato

desmatamento

A notícia: De outubro a dezembro do ano passado, cerca de 7.000 quilômetros quadrados de matas foram derrubadas, especialmente no Mato Grosso e no Pará.  Para se ter uma idéia da devastação, segundo os jornais, a área equivale a mais de quatro vezes a cidade de São Paulo. 


Nem sei o que dizer. Escrevo só para registrar meu profundo desalento. Passei alguns meses editando matérias sobre sustentabilidade aqui na CLAUDIA, pedindo aos repórteres que ouvissem pessoas, cientistas, pesquisadores que apontem saídas. Para a gente não ficar só se lamentando ou denunciando os crimes ambientais, mas também mostrar as coisas boas que estão sendo feitas, e quanta gente está envolvida em cuidar da Terra.

E que isso não é, como muitos pensavam no século passado, uma besteira de hippies naturebas sonhadores, e sim uma tarefa urgente de gente que está acordadíssima. Quem está dormindo, hipnotizado ou louco são os que matam a vida. E não os que a protegem!

Mas, ao ouvir as últimas notícias do desmatamento nacional, é impossível não se abater. Hora de ficar quieta. De procurar os amigos. De estudar e buscar uma luz junto a quem sabe mais, para se fortalecer.  Quero ter cuidado para deixar a minha tristeza chegar, mas não paralisar nela. Porque quem tem alegria de viver  promove melhor a vida. E tem mais pique para batalhar  -- todo os dias -- para que os criminosos ambientais sejam punidos.  Conto com uma gritaria nacional e internacional para fazer alarde contra esse absurdo e perseverar  na ação correta. Tenho certeza de que a ação correta não é deixar o mato grosso sem mato nenhum. Tenho certeza de que a ação correta não é dar ouvidos às palavras vazias daqueles que tentam justificar os seus crimes. Mais do que nunca eu confio nas palavras cheias de sentido.  As palavras são parte da natureza humana, não podem ser esvaziadas.  E estou de luto por um dos municípios do país em que mais árvores foram derrubadas e mortas.  Ele se chama “Alta Floresta”.

Déborah de Paula Souza, editora de CLAUDIA
Foto: Antonio Milena, para a reportagem "Alerta Vermelho" na Revista CLAUDIA e no site
PLANETA SUSTENTÁVEL