Hollywood caçando pipas em Cabul

Fui ver o filme "O Caçador de Pipas". Confesso que não li o livro por puro preconceito contra best-sellers. O filme me comoveu porque foi feito para comover e também porque os atores são bons. Gostei especialmente do pai do menino Amir – porque ele não é nem tão bom nem tão mau, é apenas um homem íntegro tentando criar o filho sem fazer besteiras demais. Que detesta ismos – tanto o islamismo como o comunismo, portanto um personagem com quem é fácil se identificar. A história dos pequenos amigos Hassan e Amir é tocante e o filme tem um quê de auto-ajuda. Está cheio de lições sobre a amizade; a covardia e a coragem; o remorso e a possibilidade de reparar o mal que fazemos aos outros. Esse final redentor me aliviou na hora. Mas, a cada dia depois do filme, fui piorando. Acho que Hollywood não deu conta da tristeza de Cabul. Nem eu.
Déborah de Paula Souza, editora de CLAUDIA
foto: divulgação
Estado de São Paulo cria companhia de dança e aumenta incentivo cultural

Com direção artística de Iracity Cardoso e Inês Bogéa, a companhia pretende se tornar referência na área de dança, a exemplo da "Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo", que é decisiva no panorama musical do país.
Serão escolhidos 40 bailarinos em audições pelo Brasil e exterior. O calendário para os testes inicia no dia 13 de fevereiro, em Belém. Nos dias 15, 17 e 19 em Recife, Brasília e Porto Alegre, respectivamente. Em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de fevereiro e em São Paulo no dia 23. As datas devem ser checadas no site
Mais informações:
Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo
Anna Freire
foto: divulgação
O absurdo do Mato Grosso sem mato

A notícia: De outubro a dezembro do ano passado, cerca de 7.000 quilômetros quadrados de matas foram derrubadas, especialmente no Mato Grosso e no Pará. Para se ter uma idéia da devastação, segundo os jornais, a área equivale a mais de quatro vezes a cidade de São Paulo.
Nem sei o que dizer. Escrevo só para registrar meu profundo desalento. Passei alguns meses editando matérias sobre sustentabilidade aqui na CLAUDIA, pedindo aos repórteres que ouvissem pessoas, cientistas, pesquisadores que apontem saídas. Para a gente não ficar só se lamentando ou denunciando os crimes ambientais, mas também mostrar as coisas boas que estão sendo feitas, e quanta gente está envolvida em cuidar da Terra.
E que isso não é, como muitos pensavam no século passado, uma besteira de hippies naturebas sonhadores, e sim uma tarefa urgente de gente que está acordadíssima. Quem está dormindo, hipnotizado ou louco são os que matam a vida. E não os que a protegem!
Mas, ao ouvir as últimas notícias do desmatamento nacional, é impossível não se abater. Hora de ficar quieta. De procurar os amigos. De estudar e buscar uma luz junto a quem sabe mais, para se fortalecer. Quero ter cuidado para deixar a minha tristeza chegar, mas não paralisar nela. Porque quem tem alegria de viver promove melhor a vida. E tem mais pique para batalhar -- todo os dias -- para que os criminosos ambientais sejam punidos. Conto com uma gritaria nacional e internacional para fazer alarde contra esse absurdo e perseverar na ação correta. Tenho certeza de que a ação correta não é deixar o mato grosso sem mato nenhum. Tenho certeza de que a ação correta não é dar ouvidos às palavras vazias daqueles que tentam justificar os seus crimes. Mais do que nunca eu confio nas palavras cheias de sentido. As palavras são parte da natureza humana, não podem ser esvaziadas. E estou de luto por um dos municípios do país em que mais árvores foram derrubadas e mortas. Ele se chama “Alta Floresta”.
Déborah de Paula Souza, editora de CLAUDIA
Foto: Antonio Milena, para a reportagem "Alerta Vermelho" na Revista CLAUDIA e no site PLANETA SUSTENTÁVEL
São Paulo, cidade aquariana, podre de rica e mal amada
No último dia 25 de janeiro foi aniversário da cidade de São Paulo. E fiz o que milhões de paulistanos adoram fazer: fugi da minha cidade, em busca de montanhas, ar puro e silêncio. Coisa que na cidade grande não tem mais.
A viagem foi ótima, mas na volta, naquele momento difícil em que temos que sair da estrada e pegar a marginal Tietê, com trânsito, favela e aquele rio machucado, o assunto da cidade veio à tona no carro e a conclusão geral é a seguinte: Essa terra é mal amada, todo mundo pensa nela como um lugar onde se pode ganhar dinheiro, mas ninguém gosta dela. (E, se gosta, precisa compará-la a Nova York, para se justificar, o que é terrível. Por acaso alguém diz que ama NY porque ela parece com São Paulo? Claro que não. E o que uma mulher acharia se um homem dissesse para ela: eu te adoro porque você se parece com fulana? Por acaso ela se sentiria amada? Não. E ainda ia ter raiva da fulana).
Mas acontece que eu gosto de São Paulo. E fico mal de ver o tanto que ela é mal amada. É verdade que motivos não faltam para reclamarmos dela, mas aqui permanecemos. Porque também não faltam motivos para permanecer (e cada paulistano tem o seu, particular). Eu fico por causa do trabalho, da escola e do cinema. E por causa das pessoas. As pessoas também são a cidade.
E São Paulo tem gente muito bacana. Inclusive gente que se movimenta para tornar essa bagunça melhor. Que além de explorar o ouro da cidade, pensa em dar a ela alguma coisa. (Bem-vindos! E obrigada). Afinal, São Paulo é de janeiro, cidade aquariana, o signo da utopia, o signo de quem sonha com um mundo melhor. O signo da originalidade e de quem vê longe. E São Paulo nunca foi míope, nunca deu ponto sem nó. De algum jeito, a gente vai ter que usar esses recursos disponíveis aqui para melhorar a nossa vida aqui. E eu penso que o melhor modo é se apropriar da cidade – sentir-se parte e também donos dela. Porque às vezes a gente esquece que a casa é nossa. E põe fogo na casa. Até que um dia alguém se lembra que essa casa é herança de família, e que nós crescemos e moramos aqui (e muitos de nós enriqueceram bastante, outros continuam ralando sem parar. ). Por enquanto, essa memória anda fraca. Resolvi escrever isso aqui no blog da CLAUDIA porque combina: a redação fica em São Paulo, às margens do rio Pinheiros e perto do buraco do metrô. (Não, não é para quem mora em lugares mais belos terem pena de nós..) Quem sabe dá para ativar essa memória coletiva entre aqueles que moram aqui; ou que moram longe e nos visitam; ou sentem curiosidade pelo que se passa por essas bandas, ou que um dia planejam mandar os filhos estudar ou trabalhar nesta cidade. Para que todos possam zelar pela casa.
Quem faz coleta de lixo seletivo, obedece ao rodízio, não buzina e não ultrapassa a faixa de pedestres no farol já faz muito! Mas amar é mais do que ser politicamente correto. Se o número de bons cidadãos crescer, será ótimo. Mas, na minha opinião, São Paulo não é nem nunca será politicamente correta. É grande e caótica demais para o senso de arrumação. Nós precisamos é de cidadãos sonhadores e amorosos, criativos e ativos – só então estaremos em sintonia com o signo desta cidade. Acham que é pedir demais?
Déborah de Paula Souza, editora de CLAUDIA
"Meu nome não é Johnny", o filme
Fui assistir ao filme Meu nome não é Johnny, com a certeza de que veria um filme muito bom. Confesso que até fiquei com receio da expectativa estragar a impressão, mas isso não aconteceu.
Inspirado no livro homônimo escrito por Guilherme Fiúza, o longa é dirigido por Mauro Lima e tem Selton Mello e Cleo Pires como protagonistas. O filme conta a história de João Guilherme Estrella, que foi um típico adolescente da zona sul carioca e adulto se transformou no maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro. João não tinha limites, vivia intensamente e acabou sendo preso em 1995. O processo foi sentenciado por uma das juízas mais rigorosas do país, e a cena do julgamento - em que João tenta provar ser apenas um jovem que não conhecia limites e não um chefe de quadrilha - é uma das mais emocionantes de todo o enredo. Também achei muito interessante ver como ele, mesmo com uma vida desgovernada, não saiu do lado dos pais - pode parecer piegas, só que isso me fez refletir sobre a importância da familia nas nossas vidas, ou melhor, na minha vida, e como eu seria mais feliz se meus pais morassem na mesma cidade que eu.
Entre uma pipoca e outra, dei muitas risadas, fiquei impressionada, engoli seco, refleti, pensei na família e nos amigos que permanecem ao nosso lado da infância à velhice, na necessidade e no merecimento de uma segunda chance e... chorei. Adorei a idéia lúdica dos créditos virando pó na apresentação do filme, a presença da mãe no julgamento, a postura da juíza, o pedido de desculpa, o figurino 70-80-90 e a trilha sonora que, com certeza, eu vou comprar. O site oficial do filme também é bacana e bonito, tem o blog do João Estrella, wallpaper, entrevistas e fotos, vale uma visita.
Gabriella Galvão
foto: divulgação
Disney lança sua primeira princesa negra
Os estúdios Disney anunciaram a produção da nova animação, “The Princess and the Frog” (a tradução é "A Princesa e o Sapo", mas o filme ainda não tem título em português). A grande novidade do conto de fadas é sua protagonista: Tiana, a primeira princesa negra da corporação.
Já era tempo da Disney criar uma personagem da etnia negra para seu rol de princesas. A primeira vez que colocaram uma protagonista que não é caucasiana foi no premiado “Aladdin”, em 1992, a princesa Jasmine é árabe. Em três anos, estreou uma índia, a "Pocahontas", e, em 1998, a heroína chinesa Mulan apareceu. Somente 10 anos depois, uma afro descendente entra na lista das princesas Disney, que já geraram três bilhões de dólares em vendas desde 1999.
A diversidade é celebrada com o lançamento da animação. A psicóloga Maria Tereza Maldonado afirma a importância de vários grupos humanos serem representados em histórias infantis. A noção de que todas as pessoas podem ocupar diferentes posições sociais é necessária na vida e no imaginário de uma criança. “A percepção do mundo dos pequenos acontece não só pela relação com as pessoas, como pelas brincadeiras, contos e personagens”, afirma a psicóloga.
Ainda não foram divulgados muitos detalhes sobre o filme, cujo lançamento está previsto para o final de 2009. Sabe-se, entretanto, que a história tem como pano de fundo a Era do Jazz, na década de 20, e se passa em New Orleans. Segundo os produtores, a escolha do local é uma forma de mostrar apoio às vítimas do furacão Katrina, que inundou o estado cerca de dois anos e meio atrás.
Anna Freire
foto: divulgação
Planos de saúde vão cobrir consultas a nutricionistas, psicólogos, entre outros serviços médicos
A partir de 2 de abril, os planos de saúde contratados após 1º de janeiro de 1999 terão novas regras. De acordo com uma resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), publicada no dia 10 de janeiro no Diário Oficial, mais de 100 novos procedimentos serão incluídos.
As empresas deverão cobrir as despesas de seus segurados em 6 consultas com nutricionista por ano, 12 sessões de psicoterapia, 6 de fonoaudiologia e 6 de terapia ocupacional. Os clientes de planos também terão direito a exames laboratoriais, como análise de DNA para diversas doenças genéticas, hepatite B, hepatite C, mamografia digital. Procedimentos contraceptivos, como inserção de dispositivo intra-uterino (DIU), ligadura tubária ou laqueadura e vasectomia também terão cobertura garantida.
Segundo a ANS, isso não terá custos adicionais para aqueles que são clientes desde 1999. Entretanto, quem contratar planos de saúde a partir deste ano poderá pagar mais caro por causa das medidas. Espera-se também que o aumento para as empresas seja atenuado pela prevenção de problemas de obesidade e natalidade.
Anna Freire









