A concorrência chegou
O ciúme quando nasce o irmãozinho é o sentimento mais natural do mundo. Com muito jeito, um balde de paciência e as estratégias que garimpamos para você, dá para tirar de letra essa fase
Marcia Lobo
Aalgazarra do playground, o silêncio de Lucas era ensurdecedor. Você já viu um menino de 3 anos infeliz? Pois ali estava um, sentado na caixa de areia, a testa franzida, os lábios apertados, agarrado ao balde e à pazinha, que não usava nem emprestava a ninguém. Acostumada à energia esfuziante de Anna Carolina - que naquele exato momento pedia ao pai, às gargalhadas, para empurrar o balanço "mais forte, mais forte" -, Larissa se aproximou da mãe do garoto. "Tudo bem? Ele é sempre assim tão quietinho?" A outra pareceu só estar esperando um pretexto para desabafar. "Que nada! Ficou assim depois que a irmã nasceu", disse, apontando para o bebê de uns 2 meses que dormia placidamente no carrinho a seu lado. "Parou de falar e de comer. Voltou para a mamadeira, não aceita mais nada. Diz a médica pra gente ter paciência, que não é manha. Mas às vezes fico tão enlouquecida que minha maior vontade é de dar uns tapas nele."Larissa ficou interessadíssima. Grávida de três meses, temia a reação da buliçosa e esperta Carol quando deixasse de ser filha e neta única. Foi a vez de a mãe de Lucas se interessar: "Na idade dela - tem quanto, 2 anos, 2 e meio? -, não tem escapatória: você vai enfrentar ciumeira da braba. Sorte sua se não for um tipo de regressão, que nem está acontecendo com o meu. Estou virando especialista no assunto, leio tudo que aparece. Tem até um francês aí que garante que, para evitar problemas como esses, a diferença de idade ideal entre irmãos deveria ser de seis, sete anos. Muito bonito na teoria, mas, se eu tivesse de esperar esse tempo todo para ter o segundo, acabaria não tendo".





