Dizer "Não" é uma forma de amor

É mais fácil (e mais gostoso) dizer sim aos nossos filhos por isso educar é tão sofrido para os pais. Só que não tem jeito: ou mostramos os limites ou cultivamos pequenos tiranos. A educadora mostra os caminhos para começar desde já a criar adultos felizes, independentes e saudáveis emocionalmente

Luciana Marinelli


Qual o maior erro que os pais cometem na educação das crianças? A resposta da educadora carioca Tania Zagury não tem rodeios: "Pensar que farão os filhos felizes concordando com tudo o que eles querem". Filósofa, mestre em educação e autora de 12 livros, entre eles Limites sem Trauma (Record) - já na 64a edição e traduzido para o italiano, o francês e o espanhol - e Os Direitos dos Pais (Record), lançado este ano, Tania foi pioneira em defender o resgate da autoridade paterna e em discutir a importância dos limites na educação.Mãe de dois filhos, Renato, de 31 anos, dentista, e Roberto, de 22, estudante de medicina, ela reconhece que dizer "não" nem sempre é fácil. "Coração de mãe quer porque quer sempre fazer os filhos sorrirem. É mais fácil e mais gostoso", afirma. "Mas é necessário pensar a longo prazo, e assim, algumas vezes, temos que contrariá-los e fazer não o que os sentimentos impõem, mas, sim, o que sabemos justo, adequado e indispensável para que eles possam ser felizes hoje e no futuro." O maior desafio, portanto, é jogo duro: educar mesmo quando o coração quer prevalecer. Nesta entrevista a CLAUDIA BEBÊ, ela mostra o caminho para que possamos ajudar nossos filhos - desde cedo - a se tornarem adultos íntegros, capazes de lidar com as frustrações, de lutar por seus objetivos e de entender e respeitar o espaço e o ponto de vista do outro.

CLAUDIA BEBÊ


A partir de que idade a criança já entende que não pode fazer tudo o que quer?


TANIA ZAGURY

A criança começa a compreender a noção do limite a partir do momento em que já tem um nível mínimo de vocabulário, por volta de 1 ano e meio, mais ou menos. No entanto, a aprendizagem dos limites sociais e pessoais é longa e leva anos até ser aceita e interiorizada. É normal a criança pequena reagir de forma bastante obstinada a todo "não" que ouve. Então, o ideal é dizer com firmeza, mas sem agressividade e até com carinho: "Não, isso não pode", e propor, logo a seguir, outra atividade ou brincadeira. Essa troca é muito salutar, porque mostra, desde logo, que algumas coisas não podem ser feitas, mas muitas podem.
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