Que tal aprender uma coisa nova?

Seja lá o que escolher, você vai dar uma força à sua inteligência emocional. Atividades que não têm nada a ver com a rotina ativam o lado direito do cérebro, despertando a criatividade e o poder de lidar com as emoções. Entrevistamos sete mulheres que comprovaram a tese na prática

ANA HOLANDA

Não precisa ser algo extraordinário. Descobrir como preparar um risoto ou ler um livro sobre vinhos (caso não domine o assunto) já é suficiente para quebrar o raciocínio habitual e, assim, desenvolver uma série de habilidades decisivas para o equilíbrio emocional. Enquanto as ações rotineiras mobilizam o lado esquerdo do cérebro, relacionado à razão, os novos desafios ativam o direito, ligado à criatividade e aos sentimentos e pouco usado no dia-a-dia", explica a neurocientista Ana Alvarez. "Quem nunca sai do mesmo trilho aciona o pouco e, por isso, apresenta mais dificuldade para lidar com imprevistos e emoções fortes." De acordo com a especialista, os dois hemisférios não são estanques, operam sempre juntos, como uma orquestra, e a ênfase dada a cada um influencia a melodia. O hemisfério direito media a atenção, indispensável para qualquer aprendizado. Portanto, mesmo que você opte por um curso de matemática, que exigirá o lado esquerdo, ao iniciar os estudos estimulará o direito, que é acionado pelo caráter inédito do aprendizado, independentemente de seu conteúdo. Já os hábitos que não demandam esforço criativo - como dirigir ou ligar o computador - ficam arquivados no hemisfério esquerdo, que guarda a "memória de procedimentos".O ideal, segundo Ana, é balancear os dois hemisférios combinando rotina com novidades:" Esse equilíbrio facilita o processo de decisão, que não é apenas racional, passa também pela intuição e emoção". Na prática, o pensamento se torna mais ágil e as pessoas conquistam capacidade de improvisação e maior confiança para solucionar impasses. Além disso, quem trava contato com o desconhecido costuma ficar viciado nesse prazer e aguça a curiosidade."É como se a informação recém-armazenada a puxasse para outra, formando uma grande cadeia, com conseqüências positivas para a vida e a saúde do cérebro", conclui Ana.

Pés na terra


DEBORA DUBOC, 39 ANOS, ATRIZ, VIROU FÃ DA JARDINAGEM
Meu quintal tem orquídeas, marias-sem-vergonha, camélias e árvores frutíferas. Ele nasceu da necessidade de compensar o intenso trabalho intelectual exigido pelo filme Cabra-Cega, que rodei há pouco mais de um ano - fiz o papel de uma guerrilheira e mergulhei na história da ditadura militar. Tanta pesquisa gerou um stress mental, que decidi descarregar colocando os pés no chão. Foi aí que comecei a plantar, e isso me equilibrou: é preciso regar as mudas, combater as pragas, adubar, replantar, podar. Enfim, o contato com a terra me despertou para o mundo concreto. Fiquei mais concentrada, deixei de divagar e de me desgastar à toa. Além do mais, o jardim me mostrou o óbvio: o dia tem 24 horas. Eu sabia, mas agia como se tivesse 36... Aprendi que, assim como as sementes, que têm o momento certo para ser semeadas e cuidadas, a gente também precisa ter tempo para comer, dormir e pensar, senão nada floresce.
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