Criatividade contra a mesmice

Todo dia é sempre igual e você vive sonhando com um grande romance ou altas viagens para quebrar a rotina? Há outra maneira mais simples de pôr prazer em sua vida: ativar o circuito cerebral da criatividade

Patrícia Zaidan

UM DIA DESSES, o estilista mineiro Ronaldo Fraga, famoso pela inventividade na moda, foi acordado com notícias que perturbam qualquer mortal: a bateria do carro estava arriada, as crianças atrasadas para a escola e uma pilha de pequenos problemas já o esperava na fábrica. Saiu feito Homem-Aranha. No final da tarde, o estilista desistiu de malhar ferro frio."Chamei Ivana e saímos para fazer nada." Ele e a mulher bateram perna na rua Itapecerica, endereço dos antiquários de Belo Horizonte, cidade onde moram."Demos de cara com um casarão dos anos 10 maravilhosamente restaurado. Nele, vimos, encantados, um realejo alemão de 1864, movido a manivela.As duas surpresas valeram a felicidade do dia", diz Ronaldo, exemplificando o que é, para ele, criatividade."Criar é oxigenar a rotina. Interrompo o que está dando errado para ouvir música, mudar os móveis de lugar ou abrir um champanhe gelado." Simples assim. Essa capacidade não é exclusiva dos artistas.A criatividade é vizinha da inteligência e as duas se complementam. Enquanto o inteligente é capaz de montar um espetacular banco de dados e dispor dele,o criativo tem o poder de sintetizar as informações e combiná- las para obter algo novo e diferente. Em maior ou menor grau, todos nós temos essa habilidade. O que acontece é que a gente se acomoda, deixa de usar e ela acaba enferrujando.

Para aceitá-la é preciso, antes de tudo, reconhecer que somos guiados por padrões - e eles nos amarram à mesmice. Padrão, define o psicanalista americano Farrell Silverberg, é um modelo que adotamos à risca para executar todas as etapas de uma tarefa. "Se o seguirmos com bastante freqüência, ele se torna de tal forma automático que cumprimos as etapas sem sequer pensar nelas", afirma no livro COMO QUEBRAR PADRÕES E ROTINAS E MUDAR DE VIDA. Silverberg explica ainda que, com o tempo, o modelo passa a constituir uma segunda natureza - se torna parte de nós. Temos um padrão para reagir quando ficamos doentes, para lidar com uma aflição, encarar desilusões ou mesmo para tratar dos assuntos relacionados ao trabalho e ao dinheiro. Alguns padrões podem até ser produtivos - tais como aqueles que nos fazem ganhar tempo ou poupar recursos -, mas a maior parte deles impede o crescimento pessoal. Reconhecido isso, o próximo passo é dar corda à imaginação para romper com aqueles que nos travam.

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