Você sabe negociar seu valor no trabalho?
A mulher é pouco ousada para mostrar quanto vale numa entrevista de seleção. E sente-se numa terrível saia-justa quando precisa dizer que merece um aumento. No que se refere a vender o próprio peixe, temos muito a aprender com os colegas do sexo masculino
Iracy Paulina
A economista Marina Alves, 39 anos, construiu uma carreira invejável nas instituições financeiras pelas quais passou administrando carteiras de empréstimos a empresas, tendo como garantia pagamentos futuros de cartão de crédito. Em 2005, se viu desempregada. Recebeu, então, uma proposta de trabalho de um dos maiores bancos privados do país para ganhar metade do salário anterior. "É difícil dizer não quando você está sem emprego, mas recusei porque tinha certeza de que eu merecia muito mais", conta. No mesmo mês, apareceu outra oportunidade num concorrente estrangeiro para trabalhar com cartões de crédito, o que ela mais gosta de fazer. Foi entrevistada, apresentou sua pretensão salarial e saiu com a impressão de que seria escolhida. A resposta, no entanto, demorava, demorava... Nesse meio-tempo, Marina deparou-se com uma oferta de um grupo Multinacional de cartões de alimentação. Teria que sair um pouco da sua área, mas decidiu arriscar. "Abri o jogo, disse que tinha outra proposta em vista, mostrei os bons resultados que sempre obtive no trabalho e conquistei um acordo interessante, com ótimo salário e benefícios", conta. Três meses mais tarde, o banco pelo qual esperava chamou Marina para nova rodada de negociações. "Comecei a conversa dizendo: 'Agora meu valor é outro'. E era mesmo, eu já estava empregada e tinha mais fichas para colocar na mesa", explica. Deu certo, ela galgou um posto de executiva. "Nunca deixei a condução de minha carreira nas mãos de um headhunter. Sempre discuti todas as minhas posições sem perder de vista minhas qualidades. Afinal, se você não se valoriza 100%, não é o patrão que vai fazê-lo", afirma.
Marina ainda é um perfil raro. Normalmente, a mulher não tem toda essa desenvoltura na hora de demonstrar sua experiência e seu potencial. Apesar dos passos de gigante que demos no mercado, as pesquisas mostram que, para um mesmo cargo, a maioria das mulheres ainda tem um salário menor do que o dos homens.





