Entrevistas em campo minado

As grandes empresas já não escolhem os futuros empregados usando fórmulas consagradas. Em vez de perguntas manjadas, aplicam um teste de paciência (a seleção pode durar meses!) e propõem desafios cabeludos. Você está preparada para isso? Nossa reportagem entrega os segredos para se dar bem

Denise Bobadilha

Entrevistas em campo minadoQual é o seu maior defeito?

Como você se vê em cinco anos? Se espera responder a perguntas como essas na sua próxima entrevista de em prego, esqueça. Os processos seletivos nas grandes empresas mudaram bastante nos últimos tempos. Eles estão mais longos, mas também mais democráticos: o que conta é quem você é e o que pode oferecer para a companhia, e não o que tem a dizer durante a entrevista. "Antes, as pessoas se preparavam para a entrevista, não para o cargo", com para Augusto César Calado da Costa, diretor-geral da consultoria de recursos humanos Manpower, em São Paulo. As perguntas ficaram tão conhecidas que era possível até treinar respostas que supostamente agradavam aos entrevistadores. "O método se esgotou", resume. A palavra de ordem hoje nas grandes companhias é "entrevista por competência". As maneiras de aplicar essa avaliação variam, mas o objetivo é o mesmo: colocar o candidato em situações que ele pode enfrentar na nova função. Não literalmente, claro. Na maioria dos casos, isso é feito em forma de perguntas que mostram desafios hipotéticos ou reais do cotidiano da empresa e investigam como o candidato faria para resolvêlos. Há três anos, a multinacional Unilever aplica um método inovador para selecionar os trainees em seu programa anual. Os concorrentes - 28 mil para 30 vagas no ano passado - enfrentam primeiro um jogo virtual, disponível na internet.

Esse teste, que pode ser feito até em casa, simula uma típica situação do ambiente de trabalho. Se concluído com sucesso, o jogo leva o candidato à etapa seguinte do processo, que tem uma média de três dinâmicas de grupo e quatro entrevistas feitas sempre por uma dupla diferente de funcionários. As perguntas avaliam, entre outras coisas, conhecimentos gerais (a opinião do entrevistado sobre algum escândalo político atual, por exemplo) e as técnicas que utiliza para resolver dificuldades profissionais. "Procuramos em todas as etapas as competências que são adequadas à vaga, cotante  meçando pelo jogo virtual", explica Vera Durante, diretora de recursos humanos da empresa. Com pouca rotatividade, a companhia investe pesado no programa de estagiários e trainees: são quatro meses de trabalho apenas para elaborar as etapas de seleção. Segundo Vera, a Unilever não costuma buscar profissionais para cargos superiores no mercado com muita freqüência justamente porque tem um processo bem afinado de seleção. "Encontramos pessoas que fazem carreira dentro da empresa."

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