Contatos imediatos com seu bebê
O instinto materno, de um lado, e a capacidade da criança de perceber expressões e acontecimentos à sua volta, de outro, unem-se para que a comunicação entre os dois aconteça de forma saudável, eficiente e prazerosa. É o que mostra a psicanalista Magaly Miranda Marconato
Fábio Sanchez | Foto Karine Basilio
Você já deve ter vistoaqueles aparelhinhos que “interpretam” o choro do bebê e dizem aos pais o que ele quer naquele momento. A invencionice pode até funcionar, mas não é necessária, já que toda mãe vem com um interpretador desses de fábrica. É a velha e boa intuição materna, que dá o tom das “conversas” entre mãe e filho nos primeiros meses. Especializada nessa comunicação, Magaly Miranda Marconato, professora de psicanálise da criança do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, e mestre em psicologia social pela Universidade de Londres, estuda como problemas que são mais dos pais do que dos filhos – como a ansiedade e a depressão – podem interferir negativamente nessa comunicação natural, comprometendo o enorme potencial que os bebês possuem de expressar sentimentos.
CLAUDIA BEBÊ - Como acontece uma boa comunicação entre pais e bebês?
MAGALY - Nos primeiros momentos de vida, a comunicação é principalmente não-verbal. O bebê registra informações pelo tato, pelo tom da voz e até pelo hálito da mãe. Para se expressar, ele usa uma comunicação psicossomática – ou seja, se não está sendo atendido, ele pode apresentar um distúrbio de alimentação, uma reação alérgica. Vi vários casos em que a separação repentina da mãe resultou em distúrbios de sono no bebê. Há também uma comunicação emocional. Ele olha para a mãe e vê se ela está sorrindo, se tem um brilho no olhar. Isso tudo estabelece o contato.





