Por um fio

Danuza Leão

Cabelos: o maior problema de uma mulher – pelo menos para mim. A vida inteira usei cabelos compridos, mas sempre pensando se cortava uma franja ou não, se fazia mechas ou não, se deixava na altura dos ombros ou no meio das costas, se alisava – ah, o tempo das toucas – ou se encrespava. Meus cabelos nunca me deram sossego.

Uma vez resolvi botar megahair na cabeça inteira, sendo que muitas das mechas eram em tons de louro quase branco, e fiquei satisfeita por uns tempos. Mas esse tempo passou, claro.

Para explicar melhor: a cada filme que vejo, quero imitar o cabelo de uma das atrizes, e, como são vários os filmes, minha cabeça não pára de pensar que no fundo eu poderia mudar, fazer uma coisa diferente, enfim, me tornar outra pessoa. Por causa disso, já fiz também muita escova progressiva... Até que há uns dois anos resolvi radicalizar. Tomei coragem e cortei meu cabelo curtinho, mas curtinho mesmo. Me achei o máximo, diferente da maioria, com seus cabelos longos e lisos. Mas a felicidade durou pouco e começou a tortura.

Fui então a um cabeleireiro caríssimo, fiquei lá de 10 da manhã às 7 da noite e saí com uma cabeleira de fazer inveja a Elba Ramalho – feliz, mas por pouco tempo. E fiz uma pesquisa com as amigas: “Você me prefere de cabelo curto ou comprido?” Cada uma dizia uma coisa e eu ficava mais confusa. Sabe o que é você não ter opinião própria? Voltei ao cabeleireiro, tirei o megahair todo, gastei mais uma fortuna.

Enquanto isso acontecia, meu cabelo, o verdadeiro, ia crescendo, e de repente me vi como uma jovem senhora distinta, que é tudo que não quero na vida. Como gosto de uma cabeça meio maluca, resolvi recorrer à peruca – às perucas. Comprei três, paguei no cartão em dez vezes (ainda estou pagando) e descobri que não era nada daquilo que eu queria.

Dei as perucas, tirei as mechas e passei uns dois meses sofrendo tanto quanto é possível um ser humano sofrer. E resolvi cortar de novo. Cortei, dessa vez ainda mais curto do que da primeira vez, e tive que ouvir de novo as opiniões: “Ah, eu adorava você de cabelão” ou “Agora você acertou no corte, está ótimo assim”. Acreditar em quem? Se eu mesma não sei o que quero, como as outras pessoas iriam saber?

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