Aprenda os códigos da linguagem virtual e entenda melhor seu filho

E-mail? Esqueça! O mundo dos adolescentes é o MSN, o Orkut, os torpedos cifrados pelo  celular, as mensagens em português irreconhecível. Veja as recomendações dos especialistas  para que a tecnologia não afaste sua família

Rita Trevisan

Eliana faz linha-dura com a filha, Bianca: “Se não conheço, não deixo adicionar como amigo”
Antes de ir para a escola, lá pelas 7 da manhã, Bianca Branco, 14 anos, de São Paulo, dá um jeitinho de ligar o computador para ver quem xeretou seu Orkut, se tem recados novos ou amigos para adicionar. “Levanto mais cedo só pra não passar a aula inteira curiosa”, conta. Bianca é como a maioria dos adolescentes: não fica um dia sequer sem acessar o Orkut e o MSN. “O computador fica ligado direto depois que chego da escola. Até quando faço lição continuo online, mas aviso que estou ocupada.” A mãe, a dona-de-casa Eliana, 39 anos, acompanha de perto os relacionamentos virtuais da filha: “Se eu não conheço, não deixo ela aceitar como amigo. Bianca já sabe o meu jeito. Resultado: faz parte da comunidade ‘Minha mãe não fala, dá palestra’. Nem ligo!” Mãe e filha vivem em conflito por causa do uso excessivo da internet. "Com o computador, ficou mais difícil conversar. Se deixar, é o dia todo grudada na tela”, reclama Eliana.

Há um grande paradoxo no crescimento das redes sociais virtuais e na expansão de ferramentas como o MSN Messenger e outros programas de conversa em tempo real, sem falar nos celulares superequipados. Eles criaram múltiplas possibilidades de interação, permitindo aos jovens teclar com amigos do mundo todo. A comunicação dentro da família, no entanto, entrou em curto-circuito. Além da falta de intimidade com as tecnologias utilizadas pelos filhos, os pais dessa geração, que já nasceu conectada, reclamam do emaranhado de abreviações e sinais gráficos, que simplesmente exclui das conversas os mais velhos.

Não que esse seja um fenômeno do nosso tempo: desde sempre, os adolescentes buscaram a individualidade. “Faz parte do processo questionar os pais e buscar apoio nos amigos. Dentro do grupo, há códigos próprios de escrita, fala e modos de vestir. Quem não se lembra da língua do pê ou dos diários escritos em linguagem cifrada?”, argumenta Iris Tempel Costa, mestre em psicologia do desenvolvimento, de Porto Alegre. A diferença é que os jovens de hoje lançam mão de novas estratégias para isso. Mas não é aceitável que a tecnologia crie dificuldades intransponíveis de comunicação entre as gerações. O primeiro passo cabe aos pais: familiarizarem-se com as novidades.

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