CLAUDIA entrevista Inés Alberdi, diretora executiva da Unifem

Um relatório recém-lançado pelo fundo da ONU que se dedica às questões femininas revela que os países têm feito muito pouco – ou quase nada – para diminuir a diferença salarial entre homens e mulheres, acabar com a mortalidade materna e nos dar condições para assumir a cota que nos cabe na gestão dos negócios e da política. A diretora executiva do Unifem, Inés Alberdi, faz aqui um balanço da nossa situação, que precisa mudar urgentemente. Você é parte dessa luta pressionando nossos governantes

Patrícia Zaidan | Foto Cristiano Maris | Produção Sylvia Radovan

Em 2000, a comunidade internacional estabeleceu metas para o desenvolvimento do milênio e marcou um prazo para que elas se concretizassem: o ano de 2015. Ultrapassamos a metade do tempo e a conclusão da ONU é que há alguns avanços, como a redução do número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia. Mas, no que se refere às mulheres, o progresso é extremamente lento. A explicação: pouquíssimos países fizeram a lição de casa.

Um exemplo é a mortalidade materna, que atinge meio milhão de grávidas por ano e poderia ser reduzida apenas com métodos contraceptivos eficazes e cuidados pré-natais básicos. Para atingir a meta, o mundo deveria diminuir 5,5% das mortes por ano, mas a redução não passa da tímida marca de 0,4%. Esses e outros dados relacionados à falta de igualdade de gênero e de empoderamento da mulher constam do relatório 2008/2009 do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), apresentado no Brasil pela número 1 da instituição, a diretora executiva Inés Alberdi.

Intitulado QUEM RESPONDE ÀS MULHERES? – GÊNERO E RESPONSABILIZAÇÃO, o documento vai além de apontar taxas e gráficos. Ele cobra dos governos e das instituições privadas que se envolvam efetivamente com o crescimento das mulheres. Não só por uma questão de justiça, mas pelo fato de que o avanço delas produz equilíbrio nas relações familiares, acelera mudanças na economia global e ainda contribui para a paz mundial. A espanhola Inés Alberdi, 61 anos, ex-deputada, doutora em ciências políticas e sociologia, percorrerá 30 países até novembro na sua cruzada em defesa da mulher. Ela conversou com CLAUDIA em Brasília sobre o relatório.

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