Uma despedida é sempre triste, sobretudo quando não depende de você, e sim das circunstâncias da vida. Lembro de uma, talvez a mais sofrida, quando eu tinha 17 anos. Estava em Paris, apaixonada, mas tinha que voltar, por mil razões: falta de dinheiro, falta de condições (e de atitude) do apaixonado, por inexperiência, incapacidade de eu mesma tomar uma atitude, enfrentar as dificuldades e ficar. Tantas já ficaram, por que não eu? Mas o Universo conspirava contra, e eu era jovem demais. Foi aos soluços que to meio avião e também aos soluços fiz a viagem inteira, que era longa, por sinal. Mas, quando a gente se convence de que não há solução, acaba passando. E passou.
Passou e, quando me lembro, vejo como eu era boba. Mas aos 17 temos esse direito. Nos dias de hoje, quando chega a hora do final do namoro, já se está programando o que fazer naquela noite, para não pensar no assunto. E ninguém mais se despede; quem decidiu ir embora dá um rápido tchau, às vezes por telefone – quando não some, simplesmente –, e fim de papo.
Mas há as que gostam da dor e prolongam a despedida para sofrer um pouco mais. Exemplo: se os dois moram juntos e é ele quem vai embora, não há nada pior do que a cena de fazer as malas, separar os CDs, os livros, e você olhando e chorando. Meu sábio conselho: avise que vai passar 24 horas fora de casa e que, nesse tempo, a bagagem deve ser retirada sob pena de ser jogada pela janela. Ruim vai ser voltar para casa e ver o armário vazio e muitas vezes – quase sempre – descobrir que coisas que eram dos dois foram levadas (às vezes nas suas malas). Aí dá raiva, e nada melhor para começar a parar de sofrer do que uma boa raiva.
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