No divã do analista

Danuza LeãoAnálise: quem nunca fez não entende quem faz. E acho que, para duas pessoas se relacionarem, ambas devem ter alguma experiência do assunto ou, então, é melhor que nenhuma das duas tenha. Eu, se fosse ministra da Educação, faria com que os alunos tivessem algumas noções de psicologia para se conhecer melhor e tentar também conhecer o outro.

Mas tem gente que tem mania de ficar se analisando, e essas pessoas são insuportáveis. Vivem falando em culpa, rejeição e outros jargões analíticos. Não fazem nada sem perguntar ao analista, até se devem mudar a cor do cabelo. Eu já fiz análise várias vezes, com diversos tipos de analista. O primeiro quase me matava de raiva. Eu estava cheia de problemas – separo, não separo, caso, não caso – e o analista ou não dizia uma só palavra ou me dizia algo que não tinha a ver com meus problemas. Teria sido preciso que eu mesma fosse leitora de Freud para compreender o que ele falava. E isso pagando os olhos da cara. Durou um tempo e pulei fora, o que, aliás, não foi nada
fácil. Primeiro, a coragem de contar que ia parar; e, depois, umas cinco sessões discutindo o assunto, ele dizendo que eu estava saindo para agredi-lo etc. e tal. Enquanto isso, fora do consultório, fazia sol e a vida continuava.

Mas não segurei a barra sozinha por muito tempo e fui parar em outra terapia, dessa vez com uma mulher. Ela devia me achar chique, pois volta e meia a conversa descambava para moda, como se fôssemos amigas almoçando. Era muito agradável, eu gostava dela. Só que, na hora de pagar aquela conta astronômica, concluía que aquilo não estava me levando a nada. E lá fui eu tentar de novo a vida sozinha. Não consegui, claro.

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