Conheça Fernando Andrade, diretor do filme “Coração Vagabundo”
O documentário que revelou a intimidade de Caetano Veloso mudou a vida do cineasta. Irmão de Luciano Huck, o jovem faz agora um filme com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e vai rodar uma comédia de um roteirista de Hollywood
Gisela Blanco
![]() |
Na última vez em que se viram, 3 de agosto, Snyder queixou-se de cansaço e cancelou o encontro do dia seguinte. Morreu horas depois, de embolia pulmonar, deixando o argumento pronto. Fernando sofreu com o choque, mas levará a produção adiante. Não está mais sozinho na empreitada: o fotógrafo cinematográfico Blasco Giurato, de Cinema Paradiso, assinará os créditos. “Ele viu Coração Vagabundo em Roma, se emocionou e disse que trabalhará comigo”, conta.
O diretor também recebeu o ok do ex-presidente Fernando Henrique para documentar a cruzada global – que inclui Bogotá, Nova York, Madri, Amsterdã e Istambul – na qual discute drogas e a necessidade de um olhar distinto sobre traficantes e usuários. O diretor estava no Rio, atrás da câmera, quando FHC declarou que “imaginar um mundo sem drogas é tão difícil quanto imaginar um mundo sem sexo”. O político causou polêmica como em 1985, ao confessar que experimentara maconha – o que contribuiu para sua derrota na disputa pela Prefeitura de São Paulo.
Fernando está perto dos fatos: a cruzada pode desembocar numa campanha pela descriminação da maconha, como ocorreu na Argentina. Dezenas de documentaristas gostariam de ocupar o seu lugar. Mas o cineasta, que sempre dá um passo calculando o próximo, desde 1998 conta com a simpatia de FHC. Tinha 17 anos e trabalhou de graça pela reeleição do então presidente. “É ótimo ter contatos, mas todo privilégio vem acompanhado de responsabilidade”, afirma.
Fã de Woody Allen
O primeiro passo profissional, aos 15, já fora obra do aguçado senso de oportunidade: numa tarde de verão, curtia a praia com os amigos do apresentador de TV Luciano Huck – seu irmão por parte de mãe, a arquiteta Marta Grostein – quando um deles pediu emprestado um qua driciclo. “Eu disse que, em troca, queria um estágio na agência de publicidade dele, a DM9.” Nessa época, decidiu editar uma revista sofisticada. Fui atrás de patrocínio e fiz ensaios sensuais com meninas da escola”, diz. A ala de esquerda dos colegas do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, considerou a iniciativa “burguesa demais” e queimou as revistas. Ele soprou as cinzas. Logo depois, passou pela produção da Rádio Jovem Pan, atacou de DJ, iluminador de boates e cursou administração de empresas na Fundação Getulio Vargas. Cada vez que saía de férias, voltava com um certificado de curso de cinema da New York Film Academy ou da Universidade da Califórnia.
Fã das produções americanas, Fernando quer ganhar dinheiro com filmes. “Vejo no cinema uma indústria rentável e admiro o modelo dos Estados Unidos, onde os profissionais vivem bem.” Um exemplo? Ele responde: “Woody Allen”. Enquanto não se equipara ao ídolo, encorpa a receita com ações na sua produtora, a Spray. Uma delas é a peça publicitária de um carro juntando internet, games e efeitos em 3D. A outra será o DVD de Fafá de Belém cantando Chico Buarque.
| VEJA NESTA REPORTAGEM | |
| Conheça Fernando Andrade / Fã de Woody Allen | A relação com Caetano Veloso / Íntimo das Orquídeas |
- 1
- 2






